EM GRANDE PARTE DO PROCESSO CRIATIVO, A CÓPIA NÃO É UM FIM EM SI PRÓPRIO, E SIM UM PONTO DE PARTIDA. tweet

 

A cópia é a primeira coisa que fazemos enquanto vivemos. Copiamos a nós mesmos por toda nossa vida por meio de nossas células, de forma que, ao chegarmos no fim, dificilmente temos a mesma constituição de que quando começamos. É assim também com uma ideia.

 

Copiar é partir do que já existe. É inevitável. A cópia serve para reafirmar e sedimentar uma ideia ou um comportamento e normalizar sua estrutura tornando-a aceitável. Isso é tão fundamental (literalmente) que não poderíamos construir nenhum pensamento sem a cópia.

 

©© Rodrigo Franco

 

Na verdade, a imitação é um dos meios pelo qual aprendemos tudo, desde bebês. Para podermos avançar em uma sequência lógica, precisamos aprender os padrões e depois manipulá-los ou mudá-los. Só podemos fazer isso se os padrões forem consolidados e repetidos o bastante para que nosso cérebro os reconheça como tais.

 

COPIAR NÃO É LEVAR VANTAGEM – É A ESSÊNCIA DA CRIATIVIDADE. tweet

 

Qualquer pensamento novo parte de uma cópia e isso é primordial. A medida que avançamos nas ideias e no pensamento humano, não seria possível trilhar todo o caminho lógico de novo cada vez que precisássemos resolver um problema. A própria memória, portanto, é baseada nas cópias que fazemos das coisas.

 

Originalidade

 

Se copiamos o tempo todo, como fica a questão da originalidade? Bem, a originalidade pressupõe origem. Costumamos pensar que o original é também inédito. Mas o que é realmente inédito? Antes da internet não conseguiríamos detectar a origem de um pensamento porque não tínhamos o registro de tudo que era feito. Nunca tivemos de fato.

 

PENSAR EM PLÁGIO SÓ FAZ SENTIDO SE APENAS UMA PESSOA OU GRUPO QUER USUFRUIR DO VALOR DE UMA IDEIA. tweet

 

@ Wikimedia Commons

 

POETAS IMATUROS IMITAM; POETAS MADUROS ROUBAM.
T. S. Elliot tweet

Com o crescimento da internet, talvez a ideia de colecionar todo o conhecimento humano tenha sido cogitada (Google?), apesar de estarmos longe de ter todos os seres humanos conectados. São dois problemas com esse pensamento: primeiro, ele pressupõe propriedade de uma ideia; segundo, dificilmente conseguiremos provar com toda certeza que esse pensamento nunca tenha existido antes. As duas consequências diretas disso são: precisamos de uma autoridade para reconhecer a propriedade e precisamos de provas. Quando defendemos a recompensa pelo ineditismo ou pela ordem cronológica, estamos defendendo a ideia ou criando um valor de mercado? De qualquer forma, a quem essa “originalidade” tanto interessa?

 

Resposta: a um sistema de propriedade intelectual que gera muito, muito dinheiro. As maiores empresas do mundo hoje têm modelos de negócios onde a propriedade intelectual é parte crucial. É verdade que outras empresas, grandes e pequenas, e pessoas, também tiram seu sustento desse modelo. Porém fora da lógica de mercado, o conceito de ineditismo não traz contribuições significantes ao conhecimento humano. “Direitos autorais existem para facilitar aos editores, num mundo analógico, ter retorno sobre seu investimento e impedir concorrentes de copiar seu produto.” (Richard Nash, sobre o mercado editorial). Essa moldura pode ser aplicada à maioria da produção cultural de hoje. Chegamos a um patamar onde criaturas esquisitas começam a surgir, como o WriteCheck, um site que checa sobre plágios.

 

apple_vs_braun

 

O QUE GANHAMOS COM O ESFORÇO DE PROVAR QUE UMA IDEIA É INÉDITA? tweet

 

Longe de fazer com que tudo seja copiado. Longe de parar de buscar o novo. O problema é que a propriedade intelectual não nos deixa reconhecer e abraçar a cópia como parte essencial da criatividade. Ao contrário do que parece, não corremos o risco de não termos coisas novas porque aceitamos a cópia.

 

Em grande parte do pensamento criativo, a cópia não é um fim em si próprio, e sim um ponto de partida. É claro que uma pessoa poderia copiar apenas com esse fim. Mas seu pensamento estaria naturalmente relegado a um papel menor, já que não agrega conhecimento. Ainda sem entrar em ética ou na questão de como tratar o sustento de quem vive com produção de conhecimento, vejo esse paradigma como seriamente ameaçado pela emergência da internet.

 

Com a cópia, temos uma situação interessante:  para quem nunca aprendeu sobre a ideia, tanto faz o “original” ou a cópia. Nesse sentido, uma cópia não faz mal a ninguém: se uma pessoa nunca tinha tomado contato com o pensamento, ele tem valor. Se já tinha, naturalmente ele será descartado com mais facilidade ou – surpresa – por que tudo depende do meio, da época e do tempo certo, servirá para que seja usado como ponto de partida para uma ideia diferente.

 

“A CÓPIA NÃO PODE MAIS SER IMPEDIDA. PORTANTO COPIAR NÃO É MAIS UMA MANEIRA DE EXTRAVIAR O VALOR DA CRIAÇÃO.”
Jeff Jarvis tweet

 

©© Rodrigo Franco

Identidade

 

A originalidade que nos interessa tem a ver com origem e, mais importante, com identidade. A origem é uma característica absoluta, ou seja, alguma coisa é de algum lugar. A identidade, porém, depende de como as influências externas agem e moldam o objeto. Um exemplo interessante está no próprio ser humano. Até o que poderia ser a mais perfeita cópia de outra pessoa, um gêmeo univitelino, tem uma impressão digital única. ” Isso se deve ao fato de que, mesmo em um pequeno espaço dentro do útero materno, as pessoas tem contato com partes diferentes desse ambiente, o que confere pequenas variações nas digitais dos [gêmeos], tornando-os únicos.” (Wikipedia). Por isso podemos dizer que o novo, o diferente, que buscamos na criatividade, é mais simples do que imaginamos.

 

PARA QUEM NUNCA VIU A IDEIA, A CÓPIA TEM O MESMO VALOR DO ORIGINAL. tweet

 

Quando criamos algo, deveríamos estar menos preocupados sobre se a ideia é inédita e mais sobre como estamos sintonizados com a identidade do que estamos criando. Dessa forma, estaremos tranquilos porque a identidade pode nos dar um caminho quase sempre único, a partir do qual  trilharemos nossa criação.

 

 

Processo criativo

Copiar   >   Associar   >   Transformar   >   Associar   >   Combinar   >   Associar…

 


Outros caminhos

PURO

Criar é muito simples

Associar

Transformar

Combinar

 

O direito de proibir cópias perdeu a importância – Folha de S. Paulo

Copyrights or Creator´s Rights? – artigo

WriteCheck – site

Plagiarism.org – site

Braun vs. Apple – artigo

Tynt – aplicativo

 

 

Designer estratégico, consultor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

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