A ASSOCIAÇÃO É O SALTO LÓGICO QUE FAZ PARTE DA DIFERENCIAÇÃO ENTRE HUMANOS E OS OUTROS ANIMAIS. tweet

 

@ Wikimedia

 

A todo momento nossa mente é inundada por estímulos que chegam à consciência por meio dos sentidos. Com o passar do tempo nos acostumamos com as semelhanças e seguimos com nosso entendimento de mundo, recorrendo a toda hora aos padrões que temos como certos. A percepção é uma das características mais fundamentais dos animais e não seria diferente com os humanos. A nossa percepção nos equipa com uma forma de entender a nós mesmos como seres e cogitar sobre nosso papel no ambiente, um grande diferencial em relação aos outros animais.

 

NÃO EXISTE BLOQUEIO À PERCEPÇÃO. SE VOCÊ ESTÁ VIVO, ESTÁ PERCEBENDO. tweet

 

© © Rodrigo Franco

 

Armazenamos nossas percepções incansavelmente durante a vida, colocando próximos, mentalmente, estímulos que entendemos ser da mesma categoria. Não é à toa que a repetição é a base dos primeiros aprendizados do ser humano. É a ferramenta com que a memória sedimenta as experiências que deram certo ou errado e formam, assim, nossa personalidade.

 

Mas uma coisa é falar de memória e percepção e outra é falar de como associamos ideias. Grande parte do que percebemos passa por um estágio automático de “avaliação” e essa informação vai para o nosso inconsciente. Outra parte, em que estamos focados, passa pelo crivo da consciência. Rapidamente tomamos os estímulos e comparamos com os blocos de memória buscando alguma similaridade com algo que já conhecemos. Isso é perceber. Associar é um passo alguns milésimos de segundo além.

 

Pareidolia

 

Simbologia

 

NADA É UM SIGNO ATÉ SER INTERPRETADO COMO SIGNO
Charles Sanders Pierce tweet

 

Para associar, temos que atribuir siginificado a uma percepção e partir dele. Essa operação acontece quase instantaneamente. A pareidolia ilustra bem como a associação funciona. Trata-se do feneômeno em que associamos imagens que chegam ao nosso cérebro a composições aleatórias que têm significado. Esse conceito é amplamente utilizado em várias formas de design e comunicação. Publicitários abusam da pareidolia.

 

A fenomenologia, sugerida pelo filósofo americano Charles S. Pierce, é o estudo do fenômenos, ou do “vem a ser”. Pierce fala em três etapas de percepção, a primeiridade, secundidade e terceiridade, que formam um ciclo de interpretação de signos (objetos dotados de significado). O detalhe dessa ideia é que algo somente tem significado para alguém. Alguém tem que retornar com o significado para fechar o ciclo. Fora do campo individual, na coletividade, os significados podem ser bem diferentes que aqueles de uma pessoa só.

 

Obviamente, o significado que atribuímos a um estímulo é regido por nossa personalidade, ou seja, pela maneira como construímos nossa relação entre nossa memória e os significados que damos a ela durante nossa vida. Alguns estímulos rendem significados mais óbvios e práticos, outros menos. Por isso, ideias geralmente consideradas criativas buscam uma ressignificação de algum termo entre o repertório de memórias e padrões internos.

 

SEM DÚVIDAS, O REPERTÓRIO DE CONHECIMENTO IMPACTA DIRETAMENTE NA MANEIRA COMO ASSOCIAMOS. PORÉM, SOZINHO, O REPERTÓRIO É UMA GRANDE BIBLIOTECA VAZIA. tweet

 

Ressignificar é buscar outras associações entre conhecimentos sedimentados, seja em sua consciência, seja na relação entre sua consciência e a sociedade. Esse processo pode ter resultados diversos. O mais interessante é que alguns se tornam inaceitáveis mesmo para a pessoa que os teve ou a para sociedade, por isso demoram para se tornar realidade. Alguns exemplos são o sufrágio feminino e negro, a Teoria da Origem das Espécies e a psicanálise, alguns desses encabeçados por uma outros por muitas pessoas. Muitas dessas ideias não foram aceitas de pronto pela sociedade ou até mesmo por quem participou delas. Um exemplo mais recente e prático – e aceito facilmente, por se encaixar na prática de mercado – seria a ressignificação do aparelho cellular pela Apple e Samsung, que assumiu, de uma vez, por todas a característica de computador pessoal móvel.

 

Preconceito

 

Estamos acostumados a pensar em preconceito como algo ruim, afinal, associamos nossos modelos pré-concebidos a um prejuízo (pré-juízo, ou consciência antecipada) do valor real. Longe de ser um abominável comportamento que gera violência ou ignorância, o preconceito é uma das mais úteis ferramentas de sobrevivência da nossa espécie. Preconceitos são modelos mentais testados. Sem eles, não enxergaríamos os cenários de ameaça ou de oportunidade que constantemente surgem na vida cotidiana desde os primórdios da nossa consciência.

 

Ride-The-Prejudice

 

PRECISAMOS DE NOSSA ZONA DE CONFORTO ASSIM COMO PRECISAMOS DA MUDANÇA tweet

 

A questão não é ter ou não preconceitos, pois todos temos muitos. A questão é como entendemos os preconceitos e usamos os padrões que já estão solidificados em nossa consciência para agir – e criar. Não se trata somente de “sair da zona de conforto”, como pregam os militantes da inovação, mas também do que fazer na nova zona de conforto (preconceito) a que vamos chegar assim que criarmos algo.

 

 

Diversidade e escolha

 

A diversidade é muito importante para a criatividade. Em um ambiente diverso encontramos os elementos que podem nos fazer questionar ou aceitar nossos preconceitos passando então a ressignificar as ideias e criar. A diversidade cultural, por exemplo, influencia positivamente a criatividade, já que a diferença entre as línguas molda de forma diferente as maneiras de pensar.

 

 

Na inovação colaborativa, participantes com diferentes experiências de vida são encorajados a contribuir coletivamente para gerar ideias não convencionais. O nosso processo de escolha depende de parâmetros que só conseguimos analisar se forem diversos. Essas elementos são o que tornam a associação fundamental para criatividade.

 

Há milênios a filosofia discute o livre-arbítrio, nossa capacidade de escolher livre de uma imposição que nos controle. Já foi sugerido que, apesar de pensarmos ter uma livre escolha, ela está invariavelmente moldada pelas circunstâncias. As associações e escolhas – inclusive as que formam uma ideia – são fortemente influenciadas pelo repertório, ambiente e pessoas ao nosso redor.

 

Nossos preconceitos, como já foi dito, representam um papel importante em nossas decisões, por serem as primeiras opções a que comparamos um estímulo. Esse pepel, na realidade, é o de facilitar as escolhas. Por esse motivo, a maioria das ideias não vai contra o status quo, e muitas pessoas não se consideram criativas por não ter ideias que quebram paradigmas. Um pensamento simplório e errado, já que boas ideias podem muito bem nascer entre dois preconceitos mudando seu significado sem, necessariamente, quebrar nenhuma regra.

 

PERCEBER E ENTENDER AS DIFERENÇAS NOS FAZ INTELIGENTES, ASSOCIÁ-LAS NOS FAZ CRIATIVOS. tweet

 

Processo criativo

Copiar   >   Associar   >   Transformar   >   Associar   >   Combinar   >   Associar…

 


Outros caminhos

PURO

Criar é muito simples

Copiar

Transformar

Combinar

 

Pareidolia – wikipedia

Ilusões de ótica mostra como enxergamos – TED

Word Associations Network – site

Charles S. Pierce – wikipedia

Fenomenologia – wikipedia

 

 

 

Designer estratégico, consultor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

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