VER MAIS DO QUE SALTA AOS OLHOS VAI SER O PRÓXIMO DESAFIO DA ERA DA INFORMAÇÃO tweet

 

Não é possível mensurar a importância da visualização de dados para a humanidade, mas dá pra dizer que foi enorme. A criação dos primeiros mapas e sistemas de ordenação de estoque permitiram um avanço tecnológico impressionante nos últimos milênios. Mapas, que são hoje coisas corriqueiras, transpunham a enorme complexidade que era colocar lugares a milhares de quilômetros em um plano ordenado. Esse era, para a época, um sistema de informações extremamente complexo.

©© Rodrigo Franco

Novos nichos da ciência surgem de tempos em tempos. Muitos deles exploram os mesmos veios, dentro das mesmas cavernas. Criam-se apenas novos rótulos ou nomes, influenciados por pressões de mercado ou espasmos intelectuais, rótulos que se parecem, com leves diferenças, e poderiam facilmente fazer parte de um pensamento maior.

 

“COMO PODEMOS VISUALIZAR NÃO PARA CONFIRMAR, MAS PARA APRENDER?”
Edward Tufte tweet

 

Com influência dos milhares de marketeiros, designers, publicitários e administradores que inundam o planeta hoje, cresce a exigência por encontrar utilidade mercadológica para milhões de bytes gerados todos os minutos. Nesse contexto surgiram termos como Usabilidade e a Visualização de Dados (Data Visualization) e a maioria dos sistemas de métricas usados hoje na internet. Mas, para e encontrar pedras mais preciosas, temos que ir mais fundo. Pensando além dos rótulos, visualizar dados é um conceito muito mais abrangente que o utilizado hoje. Significa ver significado no caos da era da informação.

 

Na década de 70, Richard Saul Wurman cunhou o termo Arquitetura de Informação, frente à crescente massa de dados que já se alinhava no horizonte. Fosse nos dias de hoje, provavelmente o termo seria Design de Informação, afinal, design é um termo em voga, como arquitetura foi um dia. Arquitetura e Design são conhecimentos que nasceram do mesmo problema humano e buscam objetivos genericamente semelhantes. Arquitetar poderia ser uma metáfora para solucionar estrategicamente os espaços e experiências que a informação ocupa; ou buscar uma solução para a apresentação e o entendimento de um sistema de informação.

 

Faz sentido arquitetar informação quando existem dados suficientes ou já qualificados para a tarefa. Mas quando um universo de dados misturados, tratados e não tratados, números, conceitos, ideias, pessoas, quando essa massa não está desvelada é que surgem os novos nichos do Design da informação.

 

NOVOS NICHOS VÃO SURGIR PARA LIDAR COM A INFORMAÇÃO, VÁRIOS DELES AINDA ESTÃO SE DESENHANDO tweet

 

Quando a nuvem de dados fica complexa e imprevisível, Design, Visualização, Arquitetura e Programação se tornam apenas partes de uma abordagem maior. Lidar com informação será uma profissão de muitas faces e várias delas ainda estão se desenhando. Parte dessas novas atribuições ficará no tratamento da informação, em busca de significado e contexto. O pensamento complexo vai exigir abordagens que as profissões atuais ainda não conseguem absorver.


The Art of Data Visualization | Off Book | PBS Digital Studios

 

 

É um erro achar que o Design vai servir apenas ao superficial ou trabalhar graficamente os dados para torná-los compreensíveis com infográficos ou plataformas bem estruturadas. Isso já está acessível a qualquer pessoa leiga, como comprovam ferramentas como o Visual.ly e Infogr.am. Qualquer pessoa com algum conhecimento técnico pode ordernar informações em apresentações, animações, gráficos ou filmes com ferramentas gratuitas disponíveis na internet. O que se exigirá de um designer vai além dessa camada. Por isso, encontrar soluções para conectar novos significados e padrões às novas interfaces pode ser um novo nicho. Assim como as novas relações entre humanos e máquinas, hoje à cargo do Design de Interfaces, que verá aumentar sua complexidade quando novos sensores e coletores de dados trouxerem novas possibilidades.

 

©© Tatiana Plakhova

 

Conforme a camada virtual das nossas vidas – mapas, informações pessoais e dos dispositivos com que estamos interagindo – se mistura à realidade, precisará de profissionais solucionando seus percalços cotidianos. Essa mistura, ainda principiante, vai trazer mudanças repentinas ao dia-a-dia de uma pessoa comum nos próximos anos.

 

QUANDO A EPIFANIA ATUAL COM A QUANTIDADE DE INFORMAÇÃO PASSAR, PRECISAREMOS DE DIFERENTES MÉTODOS PARA SINTETIZAR A COMPLEXIDADE tweet

 

O surgimento do pensamento complexo só foi possível porque desenvolvemos uma grande capacidade de simulação. Simular tornou-se o grande substituto das coisas materiais no mercado de consumo. Consumimos simulações a todo momento em filmes e quase todo o contingente da chamada Economia Criativa. Sites e plataformas são simulações de ferramentas que trabalham dentro de outras simulações em espaços virtuais, indefinidadamente. Simulações são algo que um designer de jogos ou de interatividade, por exemplo, toma contato no seu trabalho diário. Há alguns anos, apareceram os pesquisadores de sistemas complexos e os cientistas da informação. Na busca por novos significados, talvez vejamos surgir nos próximos anos algo como um Design de Simulação.

 

©© Tatiana Plakhova

 

Nas camadas mais simples ou mais profundas, o Design pode dar uma grande contribuição para lidar com a complexidade. Novos significados e novas revoluções estão escondidas por trás das cortinas do caos, a serem descobertas por ciências dispostas a ver significado onde a maioria das pessoas vê apenas dados. Artistas como Tatiana Plakhova, que expôs sua obra em galerias exploram visualmente dados matemáticos em busca de sua arte. E haverá mudanças nas mídias disponíveis para a ciência dos dados, fugindo do cabresto das telas e colocando mais tempero nesse já complexo molho, e fazendo da visualização, interatividade, interfaces e simulações os campos férteis para a próxima década.

 

ENCONTRAR E PROCESSAR NOVOS SIGNIFICADOS NA MASSA DE DADOS PODE AJUDAR A RESOLVER O LAPSO ENTRE HUMANOS E MÁQUINAS. tweet

 

Imagens:
2 e 3. Tatiana Plakhova

Outros caminhos

PURO – De quem é a ideia?

Richard Saul Wurman – wikipedia

A. Norman – The Design of Future Things – Livro

Infogr.am – site

Visual.ly – site

User Interface Design – wikipedia

Visual Complexity – site

Visualizing.org – site

Information is Beautiful – site

Places&Spaces – site

Wikipedia x UDC – Infográfico

The Art of Data Visualization – artigo

Complexity Graphics – Tatiana Plakhova – site

Designer estratégico, consultor, professor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

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