O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSA PALAVRA QUE ENCONTRAMOS EM PESQUISAS CIENTÍFICAS TANTO QUANTO EM PLACAS NA RUA? tweet

 

Finalmente parece que inovação é a palavra da vez. Mas é claro, sendo assim pela força do mercado e dos negócios, é grande a chance dessa popularidade ser mais uma tentativa de achatar e simplificar a inovação. Portanto, vamos encontrar a palavra “inovação” tanto em pesquisas científicas como em placas de food trucks. A inovação é um dos primeiros conceitos abertos à noção de complexidade, incerteza, mudança e risco que passou a fazer parte do repertório de negócios. Mas ela é um bicho de sete cabeças. E, sendo assim, não pode ser encarada com a simplificação que é comum às ferramentas de negócios.

 

Existem algumas definições de inovação. Umas vão pelo caminho da mudança abrupta, do novo. Outras, pelo caminho do processo e do incremento. Todas são válidas, apenas a perspectivas são diferentes: a primeira provavelmente parte de quem sofre a mudança e (acha que) não tem controle – funcionários, clientes e usuários; a segunda provavelmente de quem promove a mudança e (acha que) tem controle – gestores, executivos e líderes. Como todo conceito de negócios, a inovação rapidamente se transformou em uma prática que gera resultados financeiros, e para isso teve que se tornar modelável. E já existem regras sobre “como inovar na sua empresa” que vão de cinco a 20 passos. Fácil, fácil.

 

Incremento e salto

 

INOVAÇÃO É UMA MUDANÇA CALCULADA tweet

 

Mas a inovação do passo-a-passo não é aquela que todos imaginam. É como a diferença entre andar e saltar. Muitas empresas dizem que inovam, mas poucas realmente causam impacto. Conforme os conceitos foram evoluindo, surgiu uma separação lógica: as mudanças que seguem um passo de complementariedade, de sustentação, passaram a ser chamadas de Inovações Incrementais. Aquelas que eram percebidas como grandes mudanças foram, então, chamadas de Inovações Disruptivas. Os termos seguem a teoria do austríaco Joseph Schumpeter, que sugere uma terceira, a Inovação Radical, que geralmente compreende um novo produto, atuação ou tecnologia que não existia.

 

Inovação não é novidade

 

Isso lembra muito dois termos ligados à politica: o reacionário, que reage para manter o status, e o revolucionário, que age para mudar o status. Para conseguir identificar os tipos, vamos definir um critério bem simples e bem adequado aos dias atuais: o impacto na sociedade. Nesse caso, revoluções, tenham sido elas boas ou ruins, sempre causaram mais impacto que reações – pelo menos a curto prazo. Pelos problemas atuais do mundo, curto prazo pode ser uma boa. Assim, quanto maior o impacto, maior a mudança. Arrisco dizer que as verdadeiras inovações não são aquelas em que as pessoas e empresas reagem com novidades para manter o status. São aquelas em que todos agem para mudar o status e criar o novo. Inovações incrementais, portanto, seriam o peixe pequeno de cada dia: extremante necessárias, mas longe de ser o que as pessoas consideram inovação.

 

Ressignificando o empreendedor

 

O conceito de inovação ficou muito popular conforme ficaram populares as empresas que, hoje, consideramos inovadoras, as startups. É claro que pessoas e empreendimentos inovadores sempre existiram. Mas a principal contribuição das startups foi incorporar a incerteza justamente no dogma mais fundamental das empresas: o modelo de negócio. Startups são empresas que ainda não sabem exatamente como vão ganhar dinheiro. Isso só foi possível graças à popularização da internet e do empreendedorismo entre jovens que cresceram com filosofias de troca de informação, acesso gratuito e código aberto.

 

Aliás, ao abrir caminho para a incerteza em como vão ganhar, talvez o que essa tendência criou foi a possibilidade de refletir sobre o que elas vão ganhar. Talvez não seja só dinheiro. Abram alas para uma tal economia do compartilhamento e seus pares, tendências que realmente vão causar impacto.

 

Desde então, termos como inovação, tecnologia e modelo de negócio têm se confundido. Nessa esteira, o próprio conceito de inovação em empreendedorismo foi disseminado de forma livre, aberta e colaborativa – e justamente por isso, absorvido alucinadamente por muitas áreas e profissionais. Essas pessoas agora experimentam com a informação como nuca antes foi possível, acelerando o passo da complexidade.

 

Inovação emergente

 

Inovação não é novidade

 

De fato, muito do que as empresas chamam inovação tem de reacionário, de incremental. Empresas são máquinas de aplicar continuamente fórmulas e processos que já deram certo. E faz todo sentido. Esse é  o instrumento de sobrevivência que faz todas elas perseverarem.

 

Inovação não é novidade

 

Mas a complexidade à qual a inovação se abre traz infinitos outros caminhos. Isso é o que tem ficado conhecido como “abundância”. Ainda bem, por que, como estamos nervosamente descobrindo, em um planeta finito, caminhos que só crescem estão acabando. A lógica incremental que permeou o século XX – onde Economia, PIB, Renda, Produção, Informação, Tecnologia, só crescem em quantidade e tamanho – não terá mais como se sustentar no próximo século.

 

Mas, se nem tudo pode crescer para sempre, o que vai ser da inovação? Essa é uma pergunta que tem um tom incremental. Se fôssemos pensar em revolução, talvez as empresas que conhecemos hoje não possam funcionar na nova lógica. Talvez um processo cíclico e orgânico de fases, complexo e interligado, seja o novo paradigma. Isso significa que a inovação é uma mudança calculada, mas que pode ter resultados incalculáveis. Basta ver o que o surgimento dos smartphones fez com os negócios, as mídias e a privacidade.

 

Na verdade, inovação é a combinação de diversos fatores, e nenhum deles nasceu nos últimos anos. Todos são inerentes ao ser humano. São fatores como informação, pensamento, sentimento, diversidade, criatividade e abertura. Essas são a base de qualquer revolução.

 

*****

Outros caminhos

 

Estudo de caso do Iphone – artigo

Boa parte dos “projetos de inovação” estão morrendo na praia – artigo

Estratégia de inovação – artigo

 

Designer estratégico, consultor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

Saiba mais sobre inovação&criatividade.

Nunca mandamos spam. Abominamos spam. Aliás, se lembrarmos de enviar alguma coisa, deve ser algo muito, mas muito bom mesmo!

Inscrito com sucesso!