É MUITO MAIS FÁCIL IMAGINAR O FIM DO MUNDO QUE IMAGINAR O FIM DA ORDEM ATUAL
Michael Hardt tweet

Quais os sintomas de uma nova ordem?

Sabemos o suficiente sobre os processos históricos para saber se estamos à beira de uma nova ordem, uma revolução? Certamente teríamos diversos sintomas os quais estamos acostumados a associar a passeatas, guerras ou quedas de governo. Imagens de multidões, armas e sofrimento geralmente vêm à tona. E não é isso o que vemos em toda mídia hoje? Por outro lado, podemos dizer que isso aconteceu com frequência nos últimos 3 séculos. E a mídia não tinha o mesmo alcance que tem hoje. Então, por que milhões de brasileiros saíram às ruas em 2013 sem a menor ideia do que estavam fazendo?

 

O documentário A Revolução do Presente tenta trazer um panorama das mudanças das últimas décadas, especialmente relacionadas à era da informação, e trata da confusão que existe hoje nos espíritos humanos. Apesar de algumas opiniões presunçosas, como as que dizem que vivemos um momento único na história (todo momento é único na história…) e outras que dizem que perdemos a capacidade de nos enxergar no contexto do mundo (nunca tivemos essa capacidade, pelo menos, ironicamente, desde que deixamos de viver em pequenas tribos), o documentário traz muitas opiniões muito interessantes e diversas.

 

Questionar a individualidade ou a autoridade?

 

COMO IMPÉRIOS APARECEM E DESAPARECEM? QUANDO AS PESSOAS ADAPTAM E ADOTAM UM NOVO CÓDIGO
Juan Enriquez tweet

 

Se houvesse uma revolução, seria lógico pensar que começaria nas cidades, onde já vive mais da metade da população mundial. Há argumentos de que as cidades foram a mais impressionante invenção humana e que contribuíram com quase a totalidade do progresso social, tecnológico e econômico. Como não poderia deixar de ser, há inúmeras comparações entre os arranjos sociais das cidades e formigueiros, cupinzeiros ou colméias. Mas a diferença principal é que, se os insetos unem-se por seu instinto coletivo, os seres humanos, ao contrário, têm um instinto de preservação e perseverança individual.

 

O motivo pelo qual as pessoas aglomeram-se em cidades é pela possibilidade de conseguir facilidades e mais recursos para seu crescimento individual e, talvez, de seus agregados mais próximos. Se tratássemos por esse argumento, de que cidades seriam uma ferramenta indispensável, seria válido chamar um país com cidades menores de “menos desenvolvidos” ou “em desenvolvimento”, como é o caso do Brasil. E é precisamente esse o pensamento atual. No entanto, há uma certa desconfiança sobre a real eficiência das cidades em relação ao modo social atual. Justamente o que parece ser a causa de turbulências recentes.

 

IMAGEM 2

 

AGORA QUE TEMOS COMPUTADORES, NÓS TEMOS QUE SABER PROGRAMÁ-LOS SE QUISERMOS PARTICIPAR
Douglas Rushkoff  tweet

 

Nesse sentido, podemos ver as cidades como ocupações humanas. Ocupação parece ser uma palavra muito interessante para os dias atuais. Hoje, ocupamos todos os espaços – ocupamos inclusive o espaço em volta da terra –, nossas informações ocupam todas as atenções, nosso sistema financeiro ocupa todas as interações – o que chamamos de consumismo. Finalmente, parece, chegamos ao limite físico de nossa nave. Portanto, abrimos as portas da informação, principalmente a digital, nos últimos anos, e estendemos o limite para nossas percepções.

 

Desde que emergiu a linguagem (assim como emergiram as cidades), o ser humano vêm modificando o ambiente para seu proveito e evolução. O que aconteceu nas últimas décadas é que mudamos a nossa linguagem mais crítica para a linguagem binária. E, assim, temos uma espécie de língua universal (curiosamente, uma língua matemática) com a qual podemos interagir fora do tempo linear com pessoas ao redor do globo, fenômeno que evoluiu lentamente desde o século XVI e que agora segue exponencialmente. Não coincidentemente, nessa época o Iluminismo começava a traçar alguns conceitos inovadores como diretos humanos e de propriedade, os chamados direitos universais.

 

NÓS TEMOS HOJE UMA NOÇÃO DE NATUREZA HUMANA MUITO DIFERENTE DA QUE EXISTIA NA ÉPOCA DO ILUMINISMO
John Clippinger  tweet

 

O que entendemos das nossas capacidades, hoje, mudou muito. Estamos no limite, e isso nos coloca, de novo, a procurar sentido para o tal do “desenvolvimento” e como será a sociedade daqui pra frente. A metáfora da rede serve aos propósitos desse começo, onde não entendemos tudo o que se passa ao nosso redor. Mas é importante lembramos que é limitada pela própria ideia que temos de rede: pensamos nesses pontinhos inter-conectados por linhas que se desenham. Mas é absurdamente mais complexo que isso. Ainda vão surgir meios para representar essas complexidades – e não são os mapas que estamos acostumados a desenhar. Não nos encontraremos neles.

 

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REPRESENTAR UMA REDE COMO FAZEMOS, DENTRO DE UMA MOLDURA, É UMA MENTIRA
Natalie Jeremijenko  tweet

 

O que acontece quando se perde a noção de tempo é justamente que o futuro é tão incerto quanto seu papel nele. Perde-se a noção de identidade. E é justamente isso que traz a nova onda de agitação que vemos nos últimos anos desde 2001. Resgatando a palavra ocupação, é isso que provavelmente veremos acontecer nos próximos anos. Com o acesso à informação, veremos a ocupação dos espaços, da política e da produção de bens culturais e de consumo – por outro lado, talvez, um esvaziamento do consumo massificado.

 

A triste notícia para nós é que, no Brasil, os políticos passam longe da profundidade e da complexidade do tema, e preferem a agenda política do século XX. A profundidade e a complexidade da narrativa mudaram, o jeito como lembramos e contamos fatos relevantes também; portanto, o que é relevante vai passar a sofrer mudanças, já que a cultura e a sociedade estão sujeitas ao zeitgeist. Enquanto estivermos perdidos procurando uma base para nos apoiar, nossos políticos brasileiros vão estar discutindo royalties do petróleo. Haverá revolução? Provavelmente, emergirá! A questão que fica não é sobre se temos ou não poder sobre mudar o sistema. Mas quem fica com o poder após as mudanças se acalmarem.

 

AS PESSOAS NÃO PODEM MAIS IMAGINAR SEU FUTURO, ESTÃO INDO ÀS RUAS EXIGIR SEU PRESENTE
Nishant Shah  tweet

 

Assista ao documentário (apenas em inglês, por enquanto, e disponível livremente por tempo limitado):

 

https://www.youtube.com/watch?v=HaTw5epW_QI#t=16

 

O documentário ficou disponível apenas por tempo limitado. Você pode ver o trailler aqui.

e acessar o site do documentário aqui.

Designer estratégico, consultor, professor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

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