EM VEZ DE PROCURAR INFORMAÇÃO, PROCURAMOS OPINIÃO tweet

 

Muita gente, informação, ruído, produto, propaganda, novidade. Não é à toa que ultimamente vemos listas de tudo. A ansiedade de filtrar, o alívio de estar seguro com uma informação mastigada e organizada. Esse é o frenesi das listas: em vez de procurar informação, procuramos informadores, pessoas que percorrem os caminhos e depois nos conectam a eles.

 

Listas foram provavelmente um dos primeiros métodos de organização da informação. Receitas culinárias, por exemplo, já eram usadas por civilizações antigas. Mas, diferentemente do que se buscava antes, não estamos mais interessados na lista em si. É tudo uma questão de fonte: antigamente, havia poucos donos de listas. A pessoa que fazia um inventário, ou uma lista, era muito provavelmente a única responsável por esse trabalho. Numa era de complexidade, não há somente múltiplas listas, mas também múltiplos donos, ou curadores.

 
 
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Esse é justamente o ponto da crise por qual passam sólidos jornais e veículos de imprensa. Se existem múltiplos autores, ao usar redundância e uma simples rotina de verificação, qualquer pessoa pode garantir informações com um grau de qualidade no mínimo satisfatório. Basta checar duas ou 3 três fontes para, com o tempo, formar uma rede de boas fontes. Jornalistas sempre foram, em todo caso, bons curadores que checam fatos e buscam novas perspectivas.

 

CURADORIA PARECE SER A NOVA FUNÇÃO DO ESPECIALISTA EM CONTEÚDO tweet

 

Em outras palavras, uma lista é tão boa quanto sua curadoria. Uma vez na internet, essa mesma lista será reeditada e compilada milhares de vezes, passando por outros crivos. Ou apenas alguns de seus itens serão repetidos em outras diferentes listas, para outros propósitos. As novas curadorias vão melhorar e piorar a qualidade nas novas listas criadas.

 
Um argumento resguarda as listas de internet do método jornalístico, no entanto. As listas de hoje não querem ter o mesmo compromisso com a verdade ou com algum tipo de “qualidade editorial”, por assim dizer. São apenas sugestões refrescantes em tempos de sufoco. Afinal, mesmo os que não admitem se pegam lendo uma lista sobre os 7 alimentos a serem evitados ou os 10 melhores jogos de celular.

 

©© Rodrigo Franco

 

Isso não quer dizer que a a lista não precise de qualidade de informação. Dependendo do tema, o autor precisa de cuidado ao destilar os tópicos. A confiança nunca será descartada por um leitor: Bancas e livrarias estão empilhadas com listas – entre 1001 Lugares para Visitar Antes de Morrer e 100 Melhores Vinhos – mas nenhuma delas é desleixada no trato das informações. A coisa é tão séria que o autor da lista detém os direitos autorais sobre ela e ninguém pode copiá-la quando é devidamente registrada.

 

O QUE A CULTURA QUER? TORNAR O INFINITO COMPREENSÍVEL. E TAMBÉM CRIAR ORDEM.
Umberto Eco tweet

 

Nosso cérebro tenta incansavelmente fazer juízo das coisas que lemos e hoje, como um computador quente e cansado, fica embaralhado com quantidade, tipos de mídia e com distrações. Além do mais, o paradoxo da escolha nos faz sentir mal quando temos muito a que processar. As listas são altamente atrativas porque é um texto facilmente palatável – leia-se curta, organizada, consumível e formadora de uma conclusão simples e direta –, elas basicamente diminuem nossas escolhas e tiram as conclusões para nós.

 

No final das contas, o dilúvio de listas surge como uma interação social. Com qualidade ou não, é um fenômeno de afirmação que empresta uma aura de sabedoria. Muita gente quer compartilhar sua opinião sobre determinado tema de forma impositiva ou usar essa ferramenta profissionalmente nos mesmos moldes de uma receita. Empresas tem feito muitas listas na tentativa de humanizar suas marcas. Antigamente, receitas eram feitas por quem entendia do assunto. Hoje, listas de “verdades” são mais banais que receitas de bolo na internet.

 

AS LISTAS DE HOJE SÃO PEÇAS DE AUTOAFIRMAÇÃO SOCIAL tweet

 

As 7 sabedorias populares sobre listas

 

1) Não liste para os outros o que você não gostaria que listassem pra você

Procure temas em que você se interesse.

 

2) O valor da lista é bem maior que a soma dos valores de cada item

Faça com que cada item traga mais valor: polemize, renove, ilustre.

 

3) Quem na lista escolhe um número tem de respeitá-lo

Ou seja, como em qualquer lista, priorize. Não a aumente com besteiras.

 

4) O nome muitas vezes define a pessoa. Escolha um nome para sua lista como para um filho

 

5) O que precisa ser explicado, deve ser feito de forma breve

 

6) O que não tem explicação, explicado está

Como explicações óbvias que repetem o item da lista e não trazem nada de novo.

 

7) Toda lista vai aonde o leitor está

Seja relevante e escolha bem o canal de divulgação.


 
 

Algumas listas de listas

 

Interessantes são os que fazem listas interessantes.

Como ser interessante
 

Escritores adoram listas

Kurt Vonnegut

Henry Miller

Jack Kerouac

John Steinbeck

 

50 designers famosos e os livros que os inspiraram

50 Famous Designers Share the Books That Inspire Them

 

 

As listas da Rolling Stone

rollingstone.uol.com.br/listas

 

A maior lista de listas já feita

How to lists

 
 


Outros caminhos

Uma lista de razões por que o nosso cérebro adora listas – artigo

O paradoxo da escolha – wikipedia

Umberto Eco sobre listas – artigo


 
 
 

Designer estratégico, consultor, "especialista-generalista" em criatividade, empreendedor, facilitador, ilustrador e curioso. Fundador da CARBONO, uma plataforma colaborativa que une pessoas e empresas em um processo criativo de iniciativas e valores compartilhados e da Alquimia, uma curadoria de ferramentas e técnicas para empreendedorismo criativo. Saiba mais sobre mim AQUI

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