Dedinhos

Sinto passagens sob mim ruelas sôfregas por entre minha massa janelas lacrimosas em paredes de todas as épocas Em minha carne dormem portas secas como a boca de quem nunca abriu Sinto passarem por mim pessoas e animais mas nenhum deles fica como ficam suas passagens Nem mesmo fantasmas, frios, porque são estes os que não conseguem passar Ecos de música e riso e choro por minhas costas, peito e barriga por meus ouvidos e becos Em um deles, dedinhos solares onde rachaduras são nuances e brisas quentes, tocam delicadamente paredes em pétala, inocentes por entre todos os túneis acham-me e fico