Fonte e caixa

Data
Jan 29, 2008 5:22 PM (GMT)
Categoria
texto
Autor
Rodrigo Franco

A fonte e a caixa, diferentes. A fonte da minha vida jorra, porém é concisa, de vultuosa que é tem vergonha de seus pingos numa ignorância tão larga quanto pode ser a de um velho; a caixa guarda porém emana sua verdade inconcebível e incontestável - quanto ao mistério que abraça e a ignorância, não a do velho, mas a incerteza que chão se abre como a palma de uma mão quente e macia, para esmagar o cético precisamente onde mais cético é: ele mesmo. A água que sai é múltipla, inodora e regozijante, de um prazer suave que dura tudo e tempo, um banho dela e estará sanado. Não são. Revela. Livre do cansaço do sangue enquanto o sempre dure, preso até o fim aos cafunés que suas quedas fazem não se vê que engana, a fonte. Cura o não saber mesmo para não haver a necessidade de saber, num fluxo constante. O que dentro há é múltiplo até onde o infinito pode ser, sei. A caixa me guarda, tanto quanto não sei. Me guarda fora de seu nada e tudo interno. Não sei. O que há nela é que quero, talvez, mas talvez o que não, para não saber. A caixa engana por princípio, mesmo por isso é verdadeira. Esconde. Mas sei o que há dentro. É o inverso de mim nadando em um oceano escuro e calmo que respiro, na mesma água que a fonte lança à sorte.