Economia bastarda

Economia bastarda

Há algo muito estranho acontecendo com a economia atual. À parte o fato de que essa frase pode ter sido dita em qualquer momento da história dos últimos séculos, dessa vez parece que realmente há algo estranho. Pessoas se aglomeram em quadros de instabilidade política e social pelo mundo (PURO - Ocupe o presente), questionam a falta de privacidade (PURO - Paranóia do autoconsumo), penteiam detalhes pessoais e ao mesmo tempo políticos por páginas de páginas de redes sociais, constroem mídias independentes como nunca antes, formatam e publicam documentários-denúncia e se auto-organizam em coletivos de ação. Mas o que explica a estranheza não são esses sintomas, mas o fato de que pessoas e empresas estão fazendo isso à revelia das instituições e estão fazendo consigo e para si.

PESSOAS E EMPRESAS ESTÃO TOMANDO ATITUDES À REVELIA DAS INSTITUIÇÕES

Pode-se argumentar sobre a falsa sensação de autonomia que internet proporciona. É claro que nem tudo é mar de rosas no oceano de dados, ou não seria necessário algo como a Deep Web para servir (além de negócios escusos) um canal livre de amarras. Somos constantemente vigiados e as forças que manipulam essa massa de pessoas-dados são muito menos óbvias do que sempre foram – não significa, também, que tenham o mesmo poder que tinham os instituições da "velha guarda". O jogo está ficando bem mais complexo para todos os lados. A estranheza, porém persiste, é uma estranheza que surge, que urge, que emerge como uma intuição emerge em meio às autarquias da consciência: é estranho o que não se conhece por completo.

Rodrigo Franco
Rodrigo Franco

Colapso nervoso

Estamos doentes. Somos um paciente esperando nervosamente a palavra de um médico sobre nossa condição. Estamos sentados numa sala bege, olhando os aparelhos por todos os lados e nossa respiração é ofegante. Em meio a um turbilhão de pensamentos, esperamos respostas, mas não as temos, olhamos incrédulos para o semblante do médico, percebemos uma lágrima, consternação, naturalidade e até mesmo um meio-sorriso. Recebemos más notícias, os exames recentes indicam uma terrível doença; sabe-se a causa, sabe-se dos sintomas, sabe-se até mesmo o que fazer. São más notícias. Seria uma doença terminal ou alguma coisa tratável? Seria essa estranheza a ansiedade de que talvez seja tarde demais?

Viciados, no último século desenvolvemos uma série de dependências, principalmente de recursos finitos. Desnecessário dizer sobre a dependência da humanidade em relação ao petróleo e aos minérios. Ou da cadeia de alimentos produzidos industrialmente em escala, envenenada, em que a produção é suficiente, mas não a distribuição e nem o acesso. Ou da tecnologia computacional, que cresce num caminho sem volta. Quem sabe até mesmo a produção de energia (um pilar da economia que depende de recursos escassos) seja finita, nos termos da viabilidade. A questão é: para haver colapso não é necessário que uma coisa acabe, basta que se torne inviável. Entra em cena a dependência menos óbvia, a econômica.

NO ÚLTIMO SÉCULO DESENVOLVEMOS UMA SÉRIE DE DEPENDÊNCIAS DE RECURSOS FINITOS

Desde que debutou como uma doce torta na vitrine do século XVII com o iluminista escocês Adam Smith (por incrível que pareça ainda o "pai" da coisa toda) o pensamento econômico capitalista, aquele que explicaria tudo, desde como países podem se tornar mais ricos até por que pessoas trocam, esse pensamento teve como muleta a teoria. Sim, pois na prática a coisa era muito mais complexa, já desde cedo. Passamos de um pensamento mercantilista para o liberal, e depois industrial, socialista, protecionista, neoliberal, monetarista... entretanto o mundo real, de certa forma, sempre foi uma anomalia muito mais que uma regra econômica. As ideias econômicas estiveram francamente envenenadas pelo fenômeno acumulativo tipicamente moldado pelas ideias iluministas das quais nasceram. Quase todos os modelos econômicos são ideais: "tudo funciona se todos sabem as regras de mercado...", "o homem econômico é sempre racional...", "oferta e demanda são uma razão simples...", "dinheiro faz dinheiro..." e por aí vai.

Tecido fino

QUANDO AS INSTITUIÇÕES ESGOTAM TODAS AS ALTERNATIVAS DE LASTRO, SURGEM IDEIAS PARA CATALISAR VALOR SOBRE VALOR

Aos poucos o fino barbante que emendava a economia "real" foi sendo esfacelado por mecanismos de concentração de renda, como os bancos privados, e de criação de valor monetário, como os bancos centrais e governos. Quando essas instituições esgotaram todas as alternativas de um lastro com o mundo físico, começaram a surgir ideias de como catalisar o valor sobre o que era abstrato. O dinheiro que se ganhava já não era suficiente para cobrir dívidas e gerar lucro viável dentro do paradigma.

Só que existe um problema: a economia capitalista de consumo é baseada em recursos, bens, produtos, serviços e valores empacotados. Eis que surgiram coisas como os derivativos, em que se pega um atributo não físico (derivado), exemplo, a aposta de um preço no futuro, e se negocia esse atributo. A intenção, além do lucro, é claro, seria diluir os riscos; ao negociar um atributo eu aposto no valor do atributo e não só do bem, uma coisa muito mais maleável e suscetível. Depois, empacotou-se novamente esse tipo de "produto" com outros tipos para mascarar negócios podres, e assim diluiu-se mais ainda os riscos, culminando na crise de 2007-08. A pergunta que se faz é natural: quem está pagando o seguro-fiança e diluindo o risco? O mercado e nós, contribuintes, quando assistimos aos governos que pegam mais dinheiro emprestado para salvar os bancos (e o sistema) da falência, aumentando sua dívida interna. E a ironia é: os governos pegam emprestado dinheiro turbinado no mercado com os bancos para salvar… os bancos. Hum, causa estranheza.

O PIB ESTÁ EM TODAS AS NOTÍCIAS SOBRE ECONOMIA, MAS NÃO CHEGA PERTO DE MEDIR A RIQUEZA DE UMA SOCIEDADE

O consumo deve crescer, sempre. Essa inebriante dependência puxa pelo colarinho todas as instituições privadas e políticas (PURO - A política de hoje é o abismo entre pessoas e escolhas). Apesar de já ser fato consumado e comprovado (no chamado Clube de Roma, desde 1972), existe um claro paradoxo no fato de que essas instituições ainda acreditam em um crescimento infinito num mundo finito. E mesmo que se pudesse criar valor real sobre outro valor, como nos derivativos, a conta não fecha, pois o próprio sistema atual fia-se num paradigma de acumulação. Não se acumula infinitamente no nosso planeta. Mas o sistema atual tem suas vantagens, segundo muitos. Claro, não tivesse talvez não durasse tanto. Todas as benesses, como "enriquecimento da população" e "diminuição da desigualdade", se são reais, acontecem sobre a métrica do próprio sistema. Para comparar e ter certeza, precisaríamos de um grupo de controle, um sistema de fora, como num experimento científico. Cuba conta pra alguns, mas não pra outros e está longe de ser uma unanimidade. E parece que tribos indígenas com sistema independente são artigo em falta no mercado.

Pimenta no de todos é o quê?

Passamos a medir o bem-estar e o significado da existência social por números como taxa básica de juros, câmbio, balança comercial e PIB. Eles estão lado a lado com notícias policiais e de cultura. Medir tal complexidade em meia dúzia de números considerados importantes é forçar a barra do homem-econômico racional. Sem contar que o PIB, por exemplo é reconhecidamente uma métrica muito pobre para avaliar riqueza, avaliou outro economista, Richard Easterling.

PARECE QUE O MUNDO INTEIRO É UMA GRANDE EXTERNALIDADE

Empresas preocupam-se com custo e receita. O resto não interessa. O que fica de fora dessa simples equação é o que se chama de externalidade. Poluição e acidentes são externalidades. Desde que Arthur Pigou sugeriu em 1920 que os custos sociais do problemas deveriam ser taxados ao causador, o casal exemplar formado por empresas e governos calaram-se convenientemente. Veja bem: há 75 anos ou mais sugeria-se que essas anomalias deveriam ser reguladas e agora, bem, parece que o mundo inteiro é uma grande externalidade.

Que fazer, já que estamos esgotando todos os recursos (sem trocadilhos)? É importante dizer que o novo paradigma não virá através de uma intervenção como a que fez, por exemplo, Richard Nixon na década de 1970, quando desvinculou o dólar do ouro. As instituições atuais não possuem os meios para controlar a economia como no século passado ou talvez essas ferramentas nunca tiveram todo esse poder. Há muitos anos a economia de escassez mostra cansaço. Os sinais mais claros desse esgotamento foram frequentemente substituídos por alçadas supostamente salvadoras, como a informatização nos anos 70 e o crescimento do mercado de capitais nos anos 80 e a mais recente, o empreendedorismo. Vamos parar pra pensar nesse último.

Jerry Woody @ flickr
Jerry Woody @ flickr

Esse comportamento, o de representar a nova individualidade na forma de um empreendimento, não é nova. Pode ser observada em sua essência desde os primórdios da civilização, mas o conceito que usamos atualmente foi colocado no papel por Joseph Schumpeter na primeira metade do século XX. Schumpeter foi um dos primeiros economistas a considerar papel das inovações tecnológicas como grandes motores de mudanças econômicas. Alguns estão chamando este de o século de Schumpeter. Será?

O CONCEITO DE EMPREENDEDORISMO TEM UM PAPEL IMPORTANTE HOJE, MAS NÃO É O MESMO DA ÉPOCA DE SEU CRIADOR

Sem dúvida, o empreendedorismo tem um papel importante atualmente, mas talvez não da mesma forma que há 50 ou 60 anos. Sim, hoje temos startups que são sinônimo de tecnologia, e sim, são tecnologias que quebram recordes a cada semana. Mas o empreendedorismo atual tem um sentido mais social: é um catalizador de independência. Muitas startups e empresas surgem, porém o mais importante (e mais perigoso, talvez) é que, pela primeira vez, há menos consideração por regras e leis. Com esse tipo de empreendedorismo, a sociedade corre para se adaptar ao que está surgindo. Por isso, devemos considerar apenas a essência do empreendedorismo como reflexo da nova economia e não apenas seu papel capitalista – este está preso às regras do jogo. Talvez devêssemos celebrar a autonomia do empreendedorismo antes que qualquer outra coisa. A questão que fica é se essa autonomia poderia nos trazer o bem-estar físico, mental e espiritual que tanto precisamos ou se seria ela um caminho autoguiado para a exploração de nós mesmos, mascarado por uma falsa liberdade. A verificar.

Tripé

Da mesma forma que devemos dar um passo atrás em relação ao conceito de empreendedorismo, Jeremy Rifkin, autor e conselheiro político, defende que devemos fazer o mesmo com o conceito de internet. Segundo ele, a verdadeira internet compreende três esferas: a comunicação, que é a internet que conhecemos hoje, com informação farta e redes sociais; a energia, com fontes de energia descentralizadas e distribuídas; e transporte com novos conceitos de compartilhamento e mobilidade.

De fato, no transporte, por exemplo, vemos mudanças de tipos de modais, mais simpatia a outros modos de locomoção e até mesmo uma nova forma de pensar o deslocamento: devemos morar ou trabalhar tão longe? Já no campo da energia, surgem casas que vendem excesso de energia para o sistema, vilas com produção comunitária de energia, unidades autônomas e baratas que captam energia limpa. E há sempre uma ponta de esperança por combustíveis como o hidrogênio, eletricidade ou bioenergia, que são ataques diretos a algumas das dependências sociais da atualidade. Países com grande economia financeira, como EUA, Alemanha e Reino Unido, já estão se movimentando para colocar a questão da energia limpa como prioridade.

A INTERNET TEM TRÊS FASES E ESTAMOS APENAS NA PRIMEIRA DELAS

De novo, o mais importante é que pessoas estão discutindo e tomando iniciativas sem a interferência de instituições e compartilham informações sobre elas na primeira e mais famosa esfera da internet, a comunicação. Devemos aguardar e torcer para que a cara boa do empreendedorismo, a autonomia, seja um grande motor para que as demais esferas se fortaleçam.

Bastarda trindade

Muitos conceitos têm surgido para abarcar as mudanças em curso. É mais certo que tudo ficará mais claro quando, no futuro, olharmos para trás e enxergarmos as variáveis com mais imparcialidade. São tendências que surgem da complexidade e do caos, não têm pais nem criadores, são formadas das próprias conexões e interações da rede e do sistema atual. Três deles têm sido mais recorrentes:

Economia Criativa

Conjunto de atividades econômicas que compreendem produtos e serviços de cunho intelectual e que usam a criatividade como meio de produção.

Economia de Compartilhamento e Colaboração

Existem diferenças seminais entre compartilhamento e colaboração, mas ambos fenômenos fazem parte da mesma facilitação social que está emergindo. No primeiro, há a geração e troca de valor por meio do uso compartilhado de produtos e serviços, agregando valor à ociosidade e ao desuso. No segundo, há a geração e troca de valor pela aplicação de esforço e dedicação de duas ou mais pessoas para que o resultado seja mais relevante.

Economia Circular

Sistema econômico em que cada bem ou serviço é projetado e executado com valor intrínseco para o próprio sistema, seja através do reuso, reciclagem, reaproveitamento e ressignificação.

Outros termos são Gift Economy, Economia Sustentável, Economia Comportamental, Economia da Abundância, Economia da Multidão, entre outros.

Charis Tsevis @ flickr
Charis Tsevis @ flickr
AS ECONOMIAS BASTARDAS NÃO NASCERAM DE POUCOS, MAS EMERGIRAM DA PRÓPRIA SOCIEDADE

As três formas de economia destacadas não são independentes, muito pelo contrário, são sistemas intricados entre si e que emergem por inciativa mista, de governos, empresas e indivíduos. São modelos de interpretação de fenômenos às vezes esparsos, às vezes mais concentrados. Não há intervenção e o controle por parte das grandes corporações parece diminuído. Ao menos é o que parece.

A economia não ia passar por uma revisão deixando as empresas como estão. Portanto, as empresas também estão mudando muito (PURO - Conheça o novo paradigma do Marketing - a participação). Em vez de represar recursos e vender controlando os preços (velha economia), estão deixando o rio correr e vendendo barcos, pranchas, pedalinhos… (nova economia). No novo paradigma, a informação trouxe o mar de dados e outras perspectivas de negócios, como define Salim Ismail em seu livro Organizações Exponenciais. É o que fazem, Google, Uber, Facebook, Easy Taxi, entre outros. Estamos saindo de uma economia de recursos escassos e entrando numa economia de abundância. As empresas não controlam mais a produção. Elas controlam o acesso. Aí está a chave do novo poder de controle, o nosso ponto de atenção: quem e como controla o acesso. Agora faz sentido a pressa por vigiar e invadir privacidade de milhões de pessoas.

Bitcoin e a descentralização econômica

A CHAVE PARA OS MODELOS ECONÔMICOS ERA A CIRCULAÇÃO TRANSPARENTE DE INFORMAÇÃO

Se as pincipais teorias econômicas pudessem eleger uma peça chave de seu argumento, esse seria, talvez, a informação. De fato, a informação é tão importante para o sistema econômico que a maioria das falhas ou desentendimentos dele com a realidade de mercado se devem ao fato de que nem todos têm as mesmas ou todas as informações. Por outro lado, esse fato também pode ser o responsável pela enorme concentração de capital que se verifica hoje e, consequentemente, das enormes possibilidades de ganho. Ganha mais que tem mais informação – e isso é claríssimo quando tratamos de bancos ou fundos de capital agressivo. Apesar de a informação privilegiada ser proibida por lei na maioria dos países com grandes mercados de capitais, informação de qualidade é o que consolida maiores lucros.

Uma das mais conhecidas fraudes econômicas durou mais de uma década, entre 1822 e 1836. Um escocês chamado Gregor McGregor inventou um país inteiro, chamado Poyais, que ficava na costa da América Central. Sua capital seria cosmopolita, com portos modernos, prédios e até uma ópera. Apostando na falta de informação, vendeu terrenos, ações e pediu empréstimos na Inglaterra e na França. Essa é uma das primeiras bolhas econômicas documentadas.

Pois bem, a primeira "fase" da internet é justamente a comunicação. Vivemos a Era da Informação (alguns diriam que não se trata da Era do Conhecimento, ainda) justamente porque a troca de informações é (supostamente) livre ou, pelo menos, incrivelmente facilitada entre participantes de qualquer nível. Nada mais natural, portanto, que emergisse da web algum conceito relativo a isso. Hoje o representante desse fenômeno é o Bitcoin. Essa moeda exclusivamente virtual está sendo considerada a próxima grande revolução econômica. Segundo o empreendedor João Paulo Oliveira, essa nova moeda partiu de um princípio que resolveu um dos grandes desafios matemáticos, o problema dos Reis Bizantinos. O desafio matemático é uma anedota baseada em um problema de comunicação e sua resolução foi compatilhada anonimamente na internet, servindo de base para a viabilização conceitual do Bitcoin. Ou seja, uma moeda que nasceu aberta em todos os sentidos.

O Bitcoin é a primeira implementação real de uma cripto-moeda – uma moeda onde as transações são baseadas em criptografia matemática. Quatro pontos são mais importantes: 1) não há um "banco central", a emissão da moeda pode ser feita por qualquer um que disponha dos recursos (atualmente, computadores específicos para isso); 2) não há intermediários, qualquer um pode realizar troca com outro par diretamente de maneira simples via web (P2P ou peer-to-peer); 3) não pertence a uma empresa ou a um governo, seu código fonte é aberto e qualquer um pode modificá-lo; 4) é baseado em modelos matemáticos e sua segurança e revisão pode ser reclamada por qualquer usuário.

O BITCOIN É A SOLUÇÃO CONCRETA DE UM PROBLEMA QUE DESAFIOU MATEMÁTICOS POR DÉCADAS

A moeda é gerada num passo conhecido, decrescente e fixo, até atingir o número de B$ 21 milhões. Após isso, a própria rede vai se reconfigurar para criar subdivisões da moeda, exemplo B$ 0,009 ou 0,0009 e assim por diante. Ou seja, a lógica é contrária à das moedas correntes tradicionais, que acrescem. A moeda é emitida por "mineradores". Eles processam equações matemáticas para assegurar o funcionamento seguro e a confirmação das transações e são remunerados por isso em moeda emitida; esses seriam as casas da moeda da rede. No início, qualquer computador poderia gerar moedas. Mas na medida em que a competição ficou maior e também a complexidade das transações, os mineradores evoluíram para supermáquinas dedicadas – mas ainda assim independentes de qualquer instituição ou governo. Os Bitcoins têm todos os requisitos de uma moeda de mercado e já existem muitas empresas e pessoas trocando esse dinheiro em câmbios, lojas e entre elas. Basta ter uma carteira Bitcoin gratuita (na forma de um aplicativo) para receber ou fazer transações.

Como cada transação é para sempre pública (apesar das identidades serem anônimas) e para sempre segura (através de criptografia e descentralização) as implicações e o potencial são incríveis. Uma grande diferença. Nos mercados de capitais atuais, a sociedade depende de regras diferentes para cada país e da "boa vontade" das empresas em divulgar informações sobre suas transações em balanços periódicos, auditados por empresas privadas que, por sua vez, seguem o mesmo esquema. Em 2015, basta o caso da Petrobras, que mesmo seguindo todas as regras conseguiu quebrar todas elas e teve seu patrimônio – misto de público e privado – dilacerado por perdas nas ações.

No quesito da plena informação, a economia evolui muito rapidamente na internet. Outras cripto-moedas existem, como o Monero, que garante o anonimato total da transação, outras formas de descentralização e eliminação do intermediário estão surgindo e tornam-se mais conhecidas. O PayPal, por exemplo, permite transferência de dinheiro entre usuários. Recentemente, houve anúncio de que aplicativos de chat, como o Facebook Messenger e de e-mail, como o Gmail, vão permitir o envio de remessas monetárias. A Vivo lançou o Zuuum, um meio de pagamento que usar o celular como cartão pré-pago e chamou o serviço de "conta-corrente". Ao contrário do banco, que foi inventado há séculos pelos Médici como ferramenta exclusiva para benefício da família, o Bitcoin nasce aberto e praticamente anônimo. Com Bitcoin ou não, a ideia de uma economia descentralizada já está mostrando sintomas. O vírus das cripto-moedas seguem aguardando os anticorpos do hospedeiro.

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Outros caminhos

Joseph Schumpeter - wikipedia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Schumpeter

Bitcoin e a internet do dinheiro - video

https://www.youtube.com/watch?v=4brDMToaHEI

Bitcoin Hub - site

Monero - site

https://getmonero.org/home

O Problema dos Generais Bizantinos - artigo

http://cienciatododia.com/index.php/o-paper-anonimo-que-vai-mudar-mundo-completa-6-anos-hoje/

Economia Circular

http://interactive.guim.co.uk/embed/labs/circular-economy-the-future-for-business-interactive/

Gregor Mcgregor - wikipedia

http://es.wikipedia.org/wiki/Gregor_MacGregor

Novo tipo radical de economia vai emergir do colapso do capitalismo - artigo

http://www.theguardian.com/sustainable-business/2014/nov/07/radical-new-economic-system-will-emerge-from-collapse-of-capitalism?utm_content=buffer8e783&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

Internet das coisas vai levar ao novo paradigma econômico - artigo

http://www.forbes.com/sites/joemckendrick/2015/03/25/is-the-internet-of-things-heralding-the-next-great-economic-shift/

Jeremy Rifkin - site

http://www.foet.org/JeremyRifkin.htm

União Européia se move em direção à economia circular

Clube de Roma - site

http://www.clubofrome.org/?p=4771

Collapse - documentário

https://www.youtube.com/watch?v=IVd-zAXACrU

The Corporation - documentário

https://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY

A Sociedade do Cansaço - livro

http://www.fnac.pt/A-Sociedade-do-Cansaco-Byung-Chul-Han/a808432