Hulha

Sou escuro Há gestos curtos, eufemismos Há condescendência e adjetivos doces Mas a verdade é que sou escuro De meus ouvidos sai o mais terrível ramo espinheiro. Negro. Em meus olhos borbulha o petróleo crasso do que é fadado ao breu A minha pele prestes a rasgar por ocasos infinitos nos desertos onde tudo que se vê é o chão batido e sua dívida a ser cobrada Meu peito intermitente não mais ecoa, não mais E do meu escuro, em aceitação seguro o carvão com que escrevo em céu de estrelas Pois bem: com as mãos sujas e úmidas acendo em cada uma delas minha hulha delas faço fogo E fogo faz-se em mim